Passado o primeiro turno das eleições é necessário analisarmos vários aspectos delas.
O primeiro ponto a ser abordado é o das pesquisas eleitorais:os resultados das pesquisas não conferiram exatamente com o que foi apurado nas urnas, embora em casos como o da eleição presidencial não tenha ultrapassado muito a margem de erro.
Ultimamente as pesquisas passaram a ser vistas como instrumentos de previsão de resultados das eleições. Como disse Dora Kramer, “passaram a ser vistas como o Oráculo de Delfos”, capaz de prever tudo. Na realidade não é assim. As pesquisas deveriam ser vistas como instrumentos de análise de tendências de votos e não como substituto do processo de votação. As pesquisas detectaram a tendência de queda da candidata Dilma Roussef nos últimos dias e permitiam visualizar a possibilidade do segundo turno.
Outro aspecto importante era a expectativa que se tinha de que a candidata Dilma pudesse ser eleita no primeiro turno. Não foi o que aconteceu: tanto o candidato José Serra, quanto a candidata Marina Silva cresceram muito na reta final e impediram que a eleição fosse decidida no primeiro turno. Sobre tudo Marina roubou muitos votos de Dilma.
Entre os fatores que contribuíram para o fenômeno podemos apontar, no meu entendimento, três, não necessariamente na ordem de importância:
a boataria das vésperas das eleições sobre a religiosidade, preferências sexuais e a posição sobre o aborto da candidata Dilma Roussef
a cobertura tendenciosa da imprensa, que procurou favorecer o candidato do PSDB, José Serra.
O caso da ministra Erenice Guerra.
Outro ponto importante a ser destacado neste pequeno balanço do primeiro turno das eleições presidenciais: Marina Silva. A candidata do PV teve uma votação bem maior do que o esperado inicialmente.
Marina teve o mérito de trazer para o centro do debate a questão do desenvolvimento sustentável, que muitas vezes foi negligenciado nos debates políticos. Também abordou insistentemente a importância da educação.
O aspecto negativo da candidatura da Marina foi o de misturar religião e política, porque o desejável é um Estado laico, em que todas as religiões sejam permitidas.
A sorte está lançada. No próximo 31 de outubro conheceremos o próximo presidente do Brasil.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Pequena análise dos principais candidatos a presidente
Estando as vésperas das eleições faço nestas linhas algumas considerações sobre os quatro principais candidatos a presidente do Brasil.
Plínio de Arruda Sampaio (PSOL): teve o mérito de levantar os problemas do país não solucionados pelos governos anteriores, confrontando os oponentes que os representavam. Nos debates sempre foi irônico e inteligente.
Marina Silva (PV): em vários momentos deu a impressão de que seria “laranja” do PSDB, pouco incomodando o candidato deste partido e muitas vezes o elogiando. Preocupou-se mais em atacar e tirar votos da candidata do PT, com quem teve atritos no tempo em que ambas foram ministras do governo Lula, embora tenha passado longe das baixarias do candidato do PSDB. Apesar de tudo Gosto da Marina como pessoa, pela sua trajetória, pelas suas idéias e pela sua postura e integridade moral. Tem potencial para ser presidente do Brasil algum dia. Nesse momento talvez a Dilma esteja mais preparada. Preocupa-me na Marina é a mistura de religião e política.
José Serra (PSDB): dono de uma biografia respeitável, iniciou a campanha tentando convencer a população de que poderia ser a continuidade do governo Lula, que tem alto índice de aprovação popular. Tinha o tom conciliador e respeitoso. Com passar a do tempo e a medida que a população identificava a Dilma como a candidata apoiada pelo presidente Lula e seus números nas pesquisas caíam, adotou um tom muito agressivo, chegando mesmo a partir para baixarias e mentiras. Serra conta, na campanha, com apoio ostensivo e a parcialidade dos grandes veículos de comunicação como a Folha de São Paulo, o Estado de São Paulo, Veja e Globo.
Dilma Roussef (PT): de caráter e personalidades fortes, forjados na luta contra o regime militar, não imagino a Dilma como a pessoa das mais agradáveis para se lidar. Mas na sua passagem pelo Ministério da Casa Civil mostrou que tem condições de governar o país. Os adversários esperavam que fosse um desastre nos debates pelo fato de não ter sido política e de ser essa sua primeira eleição. Se não foi brilhante, passou longe de ser um desastre.
Plínio de Arruda Sampaio (PSOL): teve o mérito de levantar os problemas do país não solucionados pelos governos anteriores, confrontando os oponentes que os representavam. Nos debates sempre foi irônico e inteligente.
Marina Silva (PV): em vários momentos deu a impressão de que seria “laranja” do PSDB, pouco incomodando o candidato deste partido e muitas vezes o elogiando. Preocupou-se mais em atacar e tirar votos da candidata do PT, com quem teve atritos no tempo em que ambas foram ministras do governo Lula, embora tenha passado longe das baixarias do candidato do PSDB. Apesar de tudo Gosto da Marina como pessoa, pela sua trajetória, pelas suas idéias e pela sua postura e integridade moral. Tem potencial para ser presidente do Brasil algum dia. Nesse momento talvez a Dilma esteja mais preparada. Preocupa-me na Marina é a mistura de religião e política.
José Serra (PSDB): dono de uma biografia respeitável, iniciou a campanha tentando convencer a população de que poderia ser a continuidade do governo Lula, que tem alto índice de aprovação popular. Tinha o tom conciliador e respeitoso. Com passar a do tempo e a medida que a população identificava a Dilma como a candidata apoiada pelo presidente Lula e seus números nas pesquisas caíam, adotou um tom muito agressivo, chegando mesmo a partir para baixarias e mentiras. Serra conta, na campanha, com apoio ostensivo e a parcialidade dos grandes veículos de comunicação como a Folha de São Paulo, o Estado de São Paulo, Veja e Globo.
Dilma Roussef (PT): de caráter e personalidades fortes, forjados na luta contra o regime militar, não imagino a Dilma como a pessoa das mais agradáveis para se lidar. Mas na sua passagem pelo Ministério da Casa Civil mostrou que tem condições de governar o país. Os adversários esperavam que fosse um desastre nos debates pelo fato de não ter sido política e de ser essa sua primeira eleição. Se não foi brilhante, passou longe de ser um desastre.
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